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Castelo de Vide e Marvão


Neste artigo, falamos de duas jóias do Alto Alentejo, Castelo de Vide e Marvão, que ficam localizadas no coração do Parque Natural da Serra de São Mamede, a mais importante serra alentejana.


O Parque Natural, por ficar numa zona de fronteira com influências climáticas diferentes, mediterrânica a sul e atlântica a norte, alberga diversos tipos de habitat. Nas encostas a norte predominam os carvalhos e os castanheiros, sendo também cultivada a cerejeira, a aveleira e a nogueira. Nas encostas a sul, predominam os sobreirais e culturas de sequeiro como o olival e a vinha.


A sua história é marcada pelas guerras com o reino de Castela, fruto da sua posição fronteiriça. Por essa razão houve a necessidade da construção de espaços fortificados, sendo possível, hoje em dia, visitar os castelos de Marvão, Castelo de Vide, Portalegre e Alegrete.



folhas de carvalho
As duas espécies que podemos encontrar nos carvalhais do PNSM são o Quercus-robur - carvalho alvarinho ou carvalho-roble e o Quercus-pyrenaica - carvalho-negral ou carvalho cerquinho.

No fim de semana de 14 a 16 de Novembro de 2025, convidamos-te a participar no nosso evento, onde vamos fazer alguns destes trilhos e celebrar o nosso 10º aniversário.






Castelo de Vide, a Sintra do Alentejo



História


Apelidada de Sintra do Alentejo, pelo Rei D. Pedro V, aquando da sua visita a esta terra em 1861, a história de Castelo de Vide remonta à época romana, em que era local de passagem entre Mérida e a zona ocidental da península.

Foi durante a época medieval que se expandiu a povoação, devido ao seu importante castelo. O burgo medieval era circundado pelo conjunto de muralhas.

No século XIV, o burgo expandiu para a zona fora das muralhas e começou a desenvolver-se o arrabalde da encosta sul, sobretudo em função das várias igrejas e da fonte de água.

Os judeus de Castela e Aragão encontraram aqui um refúgio das suas perseguições, e por aqui se estabeleceram contribuindo para o desenvolvimento da vila.




O que visitar


  • Castelo


O castelo é um testemunho das várias batalhas que tiveram lugar nesta vila. As obras de construção tiveram início no século XIII, no reinado de D. Dinis, mas só se concluíram no século XIV no reinado do seu filho, Afonso IV. É nesta altura que Vide passa a Castelo de Vide.

Dentro das muralhas situa-se a vila velha e o castelo no lado sul, com um pátio de armas delimitado por muralhas e torreões e uma Torre de Menagem. A entrada de acesso ao castelo vai dar a um túnel que termina no pátio.

Os materiais empregues são a pedra (quartzito e granito), o tijolo, a argamassa de cal e a terra.




As Portas da Vila estão desalinhadas e situam-se a sudoeste, com acesso à Rua Direita que, por sua vez, atravessa o velho burgo até às Portas de São Pedro, no lado oposto.



  • Judiaria


A Judiaria de Castelo de Vide desenvolve-se junto ao antigo núcleo medieval, num fascinante conjunto de ruelas estreitas e calçadas.

Tendo sido expulsas de Espanha em 1492, pelos reis Católicos, muitas famílias judias procuraram refúgio deste lado da fronteira, dedicando-se principalmente a atividades mercantis e de manufactura. A comunidade judaica de Castelo de Vide foi o berço de algumas personalidades notáveis como o médico e botânico Garcia de Orta.


A Judiaria conserva vários elementos da época como por exemplo um grande número de portas de formato ogival (ao todo são 63). Algumas estão até decoradas com símbolos profissionais.


Depois de um passeio pelas ruas serpenteantes e inclinadas, procurando os sinais do culto e da fé judaica gravados no granito das portas, sugerimos uma visita à Sinagoga, o local de reunião da comunidade. No Museu da Sinagoga podemos encontrar o relato da história dos judeus de Castelo de Vide.


As judiarias em Portugal surgiram por decretos reais em que se impunha que os judeus vivessem em bairros próprios. Posteriormente deixou de haver em Portugal liberdade de culto da sua religião.




  • Casa da Inquisição


Foi instalado um centro interpretativo sobre a Inquisição na Casa do Morgado, uma casa setecentista de Castelo de Vide. Através de realidade aumentada, o visitante é conduzido por um processo inquisitorial do ”Santo Ofício da Inquisição", uma instituição criada pela Igreja Católica durante a Idade Média, com o objetivo de manter a pureza da fé cristã, combater heresias e a disseminação de ideias consideradas contrárias à doutrina oficial da Igreja. Nesta exposição relembra-se o processo da cristã-nova Guiomar Mendes que foi presa e condenada pela Inquisição em auto de fé.


Castelo de Vide, por ter uma tão importante comunidade judaica, teve uma forte presença inquisitória, através da figura do “Visitador”. Estima-se que em Portugal, foram queimadas vivas 1175 pessoas e presas ou torturadas mais de 30.000.


  • Fontes


Castelo de Vide tem um numeroso conjunto de fontes que evidencia a riqueza em recursos hídricos desta terra. O Percurso PR5 Percurso das Fontes da Vila desenvolve-se ao longo da vila, permitindo conhecer alguns dos seus recantos, com a temática das fontes.

A Fonte da Vila destaca-se por todo o seu conjunto arquitectónico, tendo sido classificada como Imóvel de Interesse Público.


Fonte da Vila Castelo de Vide
Fonte da Vila


Marvão, a “vila inexpugnável”



Marvão


História


A vila de Marvão localiza-se na maior e mais alta crista quartzítica a sul do Tejo. A utilização dos rochedos de Marvão como pontos estratégicos terá sido utilizada desde tempos muito antigos.

O nome “Marvão“ tem origem árabe, vem do nome Ibn Maurán, que se revoltou contra o Emir de Córdoba e edificou aqui o Castelo.

Durante o período da reconquista, o castelo passou para as mãos de D. Afonso Henriques, tendo mantido a sua importância ao longo dos séculos, pelo seu papel na defesa da independência de Portugal, quer na Guerra da Restauração, quer durante as Invasões Francesas.



O povoamento da localidade teve início no século XV. Toda a vila, onde se destacam as ruas calcetadas e vários elementos de arquitectura tradicional, está limitada e protegida por muralhas.



Porta de Ródão Marvão
A entrada para a Vila de Marvão faz-se pela Porta de Rodão.

“De Marvão vê-se a Terra toda.”

José Saramago, em Viagens a Portugal, 1961


A vista das muralhas de Marvão é soberba, alcançando o vale do Tejo até à Serra da Estrela. Subir pelas ladeiras de Marvão até ao Castelo ao final do dia e ver o pôr do sol é uma experiência inesquecível.




O que visitar


  • Castelo


O castelo ergue-se no topo de um penhasco, a 843m de altitude, no cume da Serra do Sapoio. Podes percorrer o corredor da muralha e visitar a Torre de Menagem, a mais alta do castelo. A entrada para a torre faz-se através de uma ponte madeira, que antigamente podia se levantar para isolar a torre. Para chegar ao topo, a subida é exigente, mas a vista compensa o esforço. Além disso, é um local espantoso para observação de grandes aves de rapina, como os grifos. Neste local estamos mais altos do que o voo das aves, como se ouve dizerem os locais “em Marvão as aves voam de costas". O melro-das-rochas também é frequentemente avistado nestas zonas rochosas.

Na parte mais elevada da muralha, e voltadas para a zona mais íngreme e escarpada, situam-se as portas de traição, que permitiam a evacuação do castelo em situações de cerco.

No Castelo é possível visitar uma das maiores cisternas portuguesas, com cerca de 10m de altura e 46m de comprimento. Não havendo água disponível no cume da crista de Marvão, as águas pluviais eram recolhidas e armazenadas na cisterna, que permitia guardar água para 6 meses. Isto era essencial para conseguirem resistir a cercos mais longos.



cisterna do Castelo de Marvão
Cisterna do Castelo de Marvão


  • Museu e Cidade Romana de Ammaia


As ruínas da cidade romana de Ammaia merecem uma visita. Fundada nos finais do séc. I a. C., Ammaia sobreviveu como núcleo urbano durante cerca de 6 séculos.

É uma das poucas cidades do Império Romano que se encontra em bom estado de conservação, constituindo um significativo exemplar da civilização romana.

Além de um museu, podemos visitar algumas ruínas como o Forúm, um Complexo Termal, um Templo, um Teatro e parte da malha urbana.




  • Praia Fluvial Portagem


Em Portagem, podemos desfrutar das águas límpidas do rio Sever, um afluente do rio Tejo, no complexo de piscinas fluviais aí construído. As margens arborizadas conferem uma frescura muito agradável nos dias de Verão.

Junto à praia fluvial do rio Sever, instalado num antigo moinho de água, está o Centro de Interpretação Cultural e Ambiental do Moinho da Cova. Além de uma exposição permanente sobre o processo de moagem, também aqui encontramos uma loja onde se podem adquirir produtos locais como a Maçã, a Castanha e os Cogumelos da Serra de São Mamede.



Praia Fluvial do rio Sever
Praia Fluvial do Rio Sever


  • Ponte Quinhentista e Torre da Portagem


Também em Portagem, atravessando o rio Sever encontramos a ponte quinhentista e torre da Portagem, onde se controlava a passagem e se cobravam uma portagem, daí o nome da localidade.





  • Fornos de cal de Escusa


Na localidade de Escusa existe um conjunto monumental de nove fornos de cal que, possivelmente, remontam ao período romano.




  • Floresta de Castanheiros


A vertente norte de Marvão cobre-se de uma majestosa floresta de castanheiros centenários, criando um ambiente único e verdejante característico desta região. Os castanheiros desta região têm grande importância económica local, sendo a sua madeira muito valorizada na produção artesanal de cestaria e no fabrico de mobiliário.

Em Portugal, a castanha desempenhou um papel fundamental na alimentação da população até ao século XVII, sendo um alimento básico e versátil que sustentou gerações. Com a introdução do milho vindo das Américas e mais tarde da batata, a castanha foi gradualmente perdendo a sua posição central na dieta portuguesa.

A castanha de Marvão destaca-se pela sua excepcional qualidade, sendo reconhecida com Denominação de Origem Protegida (DOP), distinção que engloba três variedades tradicionais locais, cada uma com características próprias e adaptadas ao microclima único da região.

Existem dois tipos principais de povoamentos de castanheiros na região: os soutos, que são florestas de castanheiros mansos (Castanea sativa) cultivados para a produção de castanha de alta qualidade, e os castinçais, que são formados por castanheiros bravos, tradicionalmente usados para a produção de madeira e varas para cestaria.






Caminhar


Deixamos aqui sugestões de alguns percursos pedestres que podes fazer para melhor conheceres a região:


  • GR41 - Grande Rota de Castelo de Vide


Este é um percurso de Grande Rota, em torno de Castelo de Vide, ideal para quem aprecia caminhadas de longa distância e gosta de “saborear” a região a um ritmo lento, vicenciando a natureza de uma forma mais profunda.


Extensão: 61 km

Duração: 3 dias

Dificuldade: muito difícil


  • PR1 PTG - Percurso da Senhora da Lapa


Este percurso parte da aldeia de Besteiros, subindo até à ermida de N. Sra. da Lapa, que fica quase em Espanha. Nas escarpas quartzíticas vive uma pequena colónia de grifos.


Extensão: 10 km

Duração: 4h

Dificuldade: difícil


  • PR1 Marvão - Percurso de Marvão


Extensão: 8,2 km

Duração: 4h

Dificuldade: médio

Início: Largo das Almas, Portagem


  • PR3 CVD-MRV Castelo de Vide - Marvão


O percurso segue através de uma ligação histórica entre dois pontos estratégicos: Castelo de Vide e Marvão. Uma travessia secular cujo caminho, nalgumas partes, consiste numa calçada medieval, que atravessa bosques de carvalho-negral de elevado valor ecológico.

Os últimos 3km são um desafio, sempre a subir, pelos soutos que dão origem à Castanha de Marvão. O percurso termina na Porta de Rodão, em Marvão, com mais de 800m de altitude.



Calçada medieval

Esta calçada era o caminho que ligava Castelo de Vide e Portalegre. Foi construída com pedras graníticas da região. O travamento estrelado impede a degradação do piso. É possível que a calçada tenha sido assente numa via romana, mais antiga.




Extensão: 9,4 km

Duração: 3h30m

Dificuldade: difícil


  • PR3 PTG Alegrete


Este percurso inicia-se em Alegrete e atravessa os pontos mais altos da serra, onde se destaca o Pico de São Mamede (1025m).


Extensão: 10,7 km

Duração: 4h

Dificuldade: difícil


  • PR5 MRV Percurso dos Olhos d'Água


O percurso segue pelas margens do Rio Sever, passando na ponte quinhentista e torre Portagem (medieval). Passa pela cidade romana de Ammaia e na aldeia de São Salvador de Aramenha. Continua em direcção à aldeia de Escusa, num troço de rara beleza natural. Passa depois pela Ponte da Ribeira das Trutas (séc. I do período romano) antes de terminar junto ao Rio Sever.


Túnel de Árvores Freixos Cintados

Estrada dos Freixos Cintados ou Túnel das Árvores

Diz-se ser “A estrada mais bonita do Alentejo” e situa-se na estrada nacional entre Castelo de Vide e Marvão. Os freixos centenários pintados com cal branca formam um túnel de árvores com um efeito visual muito atrativo. As marcas servem para sinalização, tendo um efeito reflector.


Extensão: 9,8 km

Duração: 3h

Dificuldade: fácil


No fim de semana de 14 a 16 de Novembro de 2025, convidamos-te a participar no nosso evento, onde vamos fazer alguns destes trilhos e celebrar o nosso 10º aniversário.




Gastronomia


A gastronomia típica de Castelo de Vide e Marvão reflete a tradição alentejana, conhecida pela sua simplicidade e sabores intensos, utilizando produtos locais e frescos.


Estes são alguns pratos típicos que podes degustar, se fores visitar Castelo de Vide e Marvão:

  • Sarapatel

  • Ensopado de Borrego ou Cabrito

  • “Sopa Gata”

  • Alhada de Cação

  • Sopa de Cação

  • Migas com Entrecosto

  • Chibo de Cachafrito


No âmbito da doçaria, existem várias iguarias típicas desta região:

  • Boleima de Maçã

  • Bolo Finto

  • Pão de Rala com Castanhas

  • Pastel de Castanha

  • Tarte Aramenha




Quando visitar


A Serra de São Mamede tem um clima muito distinto do resto do Alentejo, com fortes influências atlânticas e elevados níveis de precipitação. A temperatura também não é tão alta como no resto do Alentejo.


A Primavera é uma boa altura para visitar e admirar a explosão de cores das flores. Traz a tua máquina fotográfica e procura as rosas-albardeiras, as cravinas-bravas e a erva-pinheira-orvalhada, uma curiosa planta carnívora.


O Verão é uma boa altura para visitar as vilas e aldeias, desfrutar da gastronomia, dos vinhos e tomar uns banhos refrescantes nas piscinas fluviais do Sever. Em junho, em Castelo de Vide, acontece o Festival da Lavanda e Outras Aromáticas.


No Outono, a serra pinta-se de tons dourados e é uma altura excelente para caminhar. A não perder: Feira da Castanha de Marvão. É também altura de romarias e de subir à N. Sra. da Penha para apreciar a paisagem.


No Inverno, sugerimos que subas ao ponto mais alto da Serra de São Mamede, o Pico de São Mamede (1025m) e aprecies a vista para os cumes da Serra da Estrela e para a Extremadura espanhola.



 

Concluíndo, todas as estações do ano são boas para uma visita à Serra de São Mamede, e às vilas de Castelo de Vide e Marvão. Esperamos que este artigo tenha, de alguma forma, despertado o teu interesse para explorares esta região. Partilha o teu feedback nos comentários.


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Referências:


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